Eu não visitava Boston desde 2003, quando apresentei um artigo sobre as incubadoras de empresas brasileiras na conferência de empreendedorismo de Babson. Naquele ano ainda havia muita discussão sobre as empresas pontocom e a indústria de software. Mas é impressionante como a região de Boston se desenvolve e a mobilidade existente entre as pessoas. Na década de 90 imperavam as empresas de tecnologia da informação e software. Agora, só se discute como capitalizar em oportunidades ligadas a biotecnologia e ciências da saúde. A indústria de capital de risco tem investido pesadamente nestas áreas, devido à grande expectativa de retorno que apresentam aos investidores.
Acabo de sair de um seminário em Babson, que foi apresentado a um grupo de estudantes de MBA e a discussão focou em como capitalizar sobre as oportunidades que serão as grandes sensações dos próximos anos. O foco principal foi a inovação tecnológica, mas não se limitou a isso. Este tipo de inovação tem muito mais chance de ocorrer onde há uma concentração de pessoas que lideram a gestão do conhecimento, ciência, pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, regiões como a de Boston.
Até aí, não há tanta novidade. O mais interessante da discussão ocorreu quando se questionou o mundo em desenvolvimento, os países pobres e as mais de 4 bilhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares ao dia. A conclusão foi bastante interessante e acredito que é conhecida de alguns. O empreendedorismo inovador é a saída para as comunidades menos favorecidas e que não têm como “capitalizar” em biotecnologia ou ciências da saúde… Via microcrédito pode-se promover o empreendedorismo local e aproveitar a criatividade das pessoas. Exemplos do mundo todo foram apresentados, provando que quem conseguir criar soluções inovadoras simples e de baixo custo e atender a este grande “mercado” será o líder da próxima revolução empreendedora. Intrigante não? Ou seja, se você não é da área da saúde ou biotecnologia, não se desaponte, pois ainda há chances de se tornar um empreendedor de sucesso. As regras do jogo continuam as mesmas: identifique oportunidades que outros não vêem.
É isso aí.












