5 de July, 2010

Transparência nas pequenas empresas é premissa para captar investimentos

Durante o Seminário Internacional de Empreendedorismo o Blog Pensando Grande conversou com o professor Stephen Spinelli, um dos mais reconhecidos especialistas no tema do mundo. Confira a entrevista exclusiva a seguir.

Atualmente fala-se muito em exportação como premissa para inovação nas pequenas e médias empresas, gostaria que você comentasse esse panorama.

Minha primeira reação para a sua questão é dizer: eu não penso em pequenas e médias empresas, mas sim em termos de empresas que querem crescer e empresas que não têm essa meta. Os novos empreendedores precisam ter esse espírito e querer crescer, aí sim eles podem ser inovadores e expandirem seus negócios para outros mercados.

Como as pequenas e médias empresas podem atrair investimento estrangeiro?

Essa é uma questão que envolve transparência, um assunto sério no Brasil. Aqui não há uma cultura de compartilhar as informações e resultados da sua empresa. Um investidor capitalista quer saber exatamente o que está acontecendo no negócio, como seu capital está sendo empregado. Essa é uma questão nos Estados Unidos e outros países também. Os empreendedores precisam entender o que um modelo de transparência dentro das empresas significa e quando isso acontecer e for implementado, a confiança no Brasil aumentará imensamente. É preciso criar uma cultura de transparência financeira e criar modelos que se encaixem nessa premissa.

Como você enxerga o cenário de empreendedorismo no Brasil, ele é tão promissor para novos empreendedores como se tem falado?

As empresas já estabilizadas estão se sentindo mais seguras para investir no Brasil, mais do que os investidores. Para aumentar o número de investimentos no Brasil é preciso, como eu disse antes, que as empresas tenham uma política de transparência, mas acho que o Brasil está em um bom caminho. Aqui há uma cultura de consumo muito forte, o mercado aqui é muito forte, setor de serviços, por exemplo, está crescendo muito. Agora os empresários estão profissionalizando serviços e isso atrai investimentos. O importante é pensar grande!

Você acha que aqui nós temos uma cultura de não valorizar nossos próprios produtos? Essa mentalidade atrapalha o crescimento das PMEs e do mercado como um todo?

É importante ter uma cultura de valorizar e agregar valor aos serviços oferecidos. Resolvemos essa questão quando o empresário pensa seu negócio não como uma forma de criar empregos apenas, mas também como uma forma de agregar valor. É preciso ter consciência de que com isso ele faz parte de um um complexo ecossistema. Aqui no Brasil há todos os ingredientes para que o empreendedorismo exploda e prospere. Mas quais são as barreiras que ainda impedem que isso aconteça? Falta maturidade do sistema e também falta os empresários entenderem como podem se colocar nesse ecossistema e todos os seus componentes. Ele não precisa, por exemplo, ser necessariamente hightech. Um bom exemplo de mentalidade empreendedora e valor agregado a uma marca é a Starbucks. É uma casa de café! E tem em qualquer lugar do mundo. Qual a diferença entre o dono da Starbucks e o dono de um café de bairro? É uma questão de pensar como empreendedor e ter a noção que se pode expandir, querer atender a um mercado maior. É esse o valor que eu quero agregar com o livro que estou lançando no Brasil ao lado de Jeffry Timmons e José Dornelas: “Criação de Novos Negócios – Empreendedorismo para o século XXI”. Mostrar aos empresários que é tudo uma questão de ter visão empreendedora, entender o ecossistema e se colocar adequadamente.

Você acredita em pefil empreendedor?

Eu acredito que 90% das pessoas são empreendedoras. Acho que existem alguns gênios e alguns idiotas, o resto do mundo pode empreender. O problema é que nas escolas eles ensinam como não ser empreendedor. Eles condenam o erro. Talvez uma pessoa aprenda muito cometendo um erro. Existe comportamento empreendedor, não personalidade empreendedora. Algumas pessoas tem traços que podem favorecer esse comportamento, mas todos podem ser. Está na cabeça da pessoa, ela pode querer ser o Bill Gates ou ser o vendedor de sorvete da esquina. O ensino nas escolas está equivocado, o importante é o processo de aprendizagem, não o resultado. Thomas Edson tentou durante muito tempo descobrir uma maneira de ligar aquela lâmpada e a cada erro ele comemorava pois sabia que estava mais próximo da resposta correta, é assim que um empreendedor deve pensar!

Por Camila Hungria em 24 de June de 2010

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Comentário

Dr. José Dornelas

Empreendedor, palestrante e autor de livros best-seller.

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