Estamos chegando ao final de 2006 e é hora de fazer uma avaliação geral do que foi o ano e das perspectivas para 2007. Do ponto de vista do empreendedorismo, eu considero que 2006 foi um ano interessante, não sei se chamaria de ano empreendedor, mas algumas novidades surgiram no mercado e um ambiente econômico mundial convidativo ajudou para que alguns negócios inovadores prosperassem.
No nosso caso brasileiro, alguns bons momentos ficarão para a história. Houve a aprovação da lei da pequena empresa, o que demonstra, em primeiro lugar, que finalmente as PMEs estão conseguindo ter um pouco mais de destaque e de articulação organizada e, em segundo lugar, que talvez um novo ambiente de negócios menos burocrático se apresente para as empresas de pequeno porte. Eu digo talvez, já que, infelizmente, muitas leis não pegam no Brasil. Espero que não seja o caso desta… A princípio, tem pontos bastante positivos, mas tenho conversado com alguns especialistas na legislação que não se mostram tão animados. De qualquer forma, é um primeiro passo em direção à construção de um pano de fundo para o empreendedorismo do nosso país.
Outro destaque importante deste ano é fruto da lei de inovação, aprovada há mais tempo, mas que em 2006 já trouxe resultado, no que se refere ao suporte aos empreendimentos inovadores. Pela primeira vez no país tivemos um edital da Finep com foco em inovação e aporte de recursos através da subvenção econômica. É um marco no suporte à inovação no Brasil. Acho que esta talvez tenha sido a grande notícia do ano para os empreendedores inovadores. Também é cedo para comemorarmos, mas as perspectivas são muito positivas nesta área.
Longe de ser otimista ou extremamente motivado, eu procuro sempre balancear minhas análises com a razão, pois não acredito que apenas vontade e coragem sejam suficientes para o sucesso, e já disse isso aqui em outros momentos. Porém, aos pessimistas de plantão, aqui vai um recado: estão ocorrendo mudanças e para melhor. Ainda são pequenas, poderiam ser mais efetivas e rápidas, mas estão acontecendo. Agora, ouvindo meu lado pessimista ou cético, eu diria que os empreendedores brasileiros precisam acreditar mais no diferencial por meio do conhecimento, do uso de ferramentas de gestão e ainda precisam se mobilizar em prol de condições mais propícias para o sucesso de seus negócios. O networking dos empresários-empreendedores está refém dos políticos e lobistas de plantão, o que não ajuda muito.
Olhando o cenário mundial, uma nova onda de investimento de capital de risco se acelerou em 2006, o que é positivo para aqueles que tenham projetos inovadores, inclusive no Brasil. Mas para completar o ciclo, há ainda a necessidade de se fomentar o papel do investidor anjo (pessoa física), figura ainda pouco encontrada no país. Em 2006 alguns grupos começaram a se mobilizar para formar clubes de anjos. Acho que 2007 pode ser o ano em que estas iniciativas tomarão corpo e começarão a crescer no país. 2006 não foi um ano ruim, nem tão empreendedor, mas teve momentos marcantes e deixa boas perspectivas para 2007.
É isso aí.
















