Enquanto estive em Boston neste primeiro trimestre do ano procurei levantar informações sobre oportunidades para empreendedores brasileiros nos EUA. É do conhecimento de todos que em certos pólos tecnológicos americanos, como é o caso da região de Boston, fica praticamente impossível falar de importação de tecnologia. Eles simplesmente não consideram a hipótese de que um país em desenvolvimento possa exportar algo de alto valor agregado e com diferencial tecnológico para ser utilizado no mercado interno.
Como conheço várias empresas brasileiras de tecnologia que têm desenvolvido soluções bastante interessantes e competitivas para o mercado internacional, procurei conversar com mais pessoas por lá para saber qual seria o “caminho das pedras” para o estabelecimento de parcerias com empresas americanas, joint-ventures, ou alguma forma de envolvimento que permita o fluxo de produtos Brasil-EUA e o fluxo de recursos financeiros EUA-Brasil.
Eu posso afirmar que não fiquei surpreso com o que presenciei. Quando estive tratando do assunto de forma aberta, em eventos, com várias pessoas ao redor, o retorno dos americanos sempre foi amistoso, dizendo que “claro, não vemos problemas em comprar da América do Sul” e “até achamos positivo encontrar algo inovador por lá”. A verdade é que nossa marca “Brasil” não é tão bem-avaliada assim na América do Norte.
Em conversas reservadas com americanos que conhecem o Brasil, o feedback não poderia ser mais explícito: “A estratégia de abordar empresas americanas com propostas de parcerias, aonde o capital intelectual não fique presente nos EUA é das mais arriscadas e geralmente não têm sucesso, haja vista os americanos simplesmente não considerarem a possibilidade de haver geração de conhecimento de alto nível fora dos países desenvolvidos”.
Então passei a mudar minha abordagem e perguntei a eles como eles resolveriam o dilema de crescimento de empresas start-up brasileiras com inovação tecnológica de nível mundial e com apetite de crescer rapidamente. O resumo das várias conversas:
1. Proteja o quanto antes suas inovações (patentes!);
2. Abra uma empresa nos EUA e contrate americanos ou brasileiros com grande networking local.
3. A empresa americana deve então sub-contratar a empresa brasileira e ficar responsável pela estratégia de crescimento global;
O mais interessante de tudo isso aqui é que ao invés de criar uma filial nos EUA, o mesmo empreendedor brasileiro e seus sócios devem na verdade criar uma empresa nos EUA (e existem muitas facilidades para isso por á). Esta empresa deve abordar o mercado como uma empresa americana, com presença em outros países. Seria o mesmo que transformar a “filial” na matriz para que os gringos dêem mais valor. Eles não se importariam em saber que a “Pesquisa e Desenvolvimento” da empresa está localizada no Brasil ou qualquer outro país. Não deixa de ser uma possibilidade a ser considerada… e há muitas oportunidades por lá para empreendedores brasileiros. Posso garantir!
É isso aí.












