19 de March, 2007

Oportunidades para empreendedores brasileiros nos EUA

Enquanto estive em Boston neste primeiro trimestre do ano procurei levantar informações sobre oportunidades para empreendedores brasileiros nos EUA. É do conhecimento de todos que em certos pólos tecnológicos americanos, como é o caso da região de Boston, fica praticamente impossível falar de importação de tecnologia. Eles simplesmente não consideram a hipótese de que um país em desenvolvimento possa exportar algo de alto valor agregado e com diferencial tecnológico para ser utilizado no mercado interno.

Como conheço várias empresas brasileiras de tecnologia que têm desenvolvido soluções bastante interessantes e competitivas para o mercado internacional, procurei conversar com mais pessoas por lá para saber qual seria o “caminho das pedras” para o estabelecimento de parcerias com empresas americanas, joint-ventures, ou alguma forma de envolvimento que permita o fluxo de produtos Brasil-EUA e o fluxo de recursos financeiros EUA-Brasil.

Eu posso afirmar que não fiquei surpreso com o que presenciei. Quando estive tratando do assunto de forma aberta, em eventos, com várias pessoas ao redor, o retorno dos americanos sempre foi amistoso, dizendo que “claro, não vemos problemas em comprar da América do Sul” e “até achamos positivo encontrar algo inovador por lá”. A verdade é que nossa marca “Brasil” não é tão bem-avaliada assim na América do Norte.

Em conversas reservadas com americanos que conhecem o Brasil, o feedback não poderia ser mais explícito: “A estratégia de abordar empresas americanas com propostas de parcerias, aonde o capital intelectual não fique presente nos EUA é das mais arriscadas e geralmente não têm sucesso, haja vista os americanos simplesmente não considerarem a possibilidade de haver geração de conhecimento de alto nível fora dos países desenvolvidos”.

Então passei a mudar minha abordagem e perguntei a eles como eles resolveriam o dilema de crescimento de empresas start-up brasileiras com inovação tecnológica de nível mundial e com apetite de crescer rapidamente. O resumo das várias conversas:

1. Proteja o quanto antes suas inovações (patentes!);
2. Abra uma empresa nos EUA e contrate americanos ou brasileiros com grande networking local.
3. A empresa americana deve então sub-contratar a empresa brasileira e ficar responsável pela estratégia de crescimento global;

O mais interessante de tudo isso aqui é que ao invés de criar uma filial nos EUA, o mesmo empreendedor brasileiro e seus sócios devem na verdade criar uma empresa nos EUA (e existem muitas facilidades para isso por á). Esta empresa deve abordar o mercado como uma empresa americana, com presença em outros países. Seria o mesmo que transformar a “filial” na matriz para que os gringos dêem mais valor. Eles não se importariam em saber que a “Pesquisa e Desenvolvimento” da empresa está localizada no Brasil ou qualquer outro país. Não deixa de ser uma possibilidade a ser considerada… e há muitas oportunidades por lá para empreendedores brasileiros. Posso garantir!
É isso aí.

Categorias: [ Geral ] [ Negócios ] [ Inovação ] [ Estratégia ]

9 Comentários

  1. ALTAMIR NOVALKOSKI - 19 de April, 2007 @ 10:16 am

    Muito bom, agora vamos ter ótimas leituras e estaremos informados.
    Abraços,

    Altamir

  2. JOSÉ CARLOS FREITAS - 19 de April, 2007 @ 3:20 pm

    Prof Dornelas.

    Interessante sua pesquisa realizada e gostaria de observar alguns pontos:

    1) O fato dos americanos não considerarem a hipótese de que um país em desenvolvimento possa exportar algo de alto valor agregado é, há meu ver, estigmatizada e repleta de bloqueios. Creio que exista ainda apesar das inúmeras dificuldades, incertezas gritantes, mas mesmo os EUA não poderiam ter esse preconceito a idéias novas oriundas de um país em desenvolvimento.

    2) Por isso o Brasil pode e deve gerar conhecimento de alto nível. O que falta é vontade política e uma reformulação para que nossos mestres e doutores NÃO continuem escrevendo artigos e produções que não servem para nada, com uma linguagem que só atende os anseios da comunidade academica.
    É preciso aliar o saber a vida economica - ao mercado - para não vivermos a margem do conhecimento. Tratar a informação e transforma-la em conhecimento deve ser prioridade em um país que quer crescer acima dos 3% ao ano.

  3. Adilson Santos - 23 de April, 2007 @ 10:04 pm

    A visão é coerente com o pensamento americano sobre o terceiro mundo. Afinal, segundo esta, não somos a república das bananas?

    Para os empreendedores brasileiros de negócios de alta tecnologia, resta apenas o dito popular: “Em Roma, como os Romanos”.

    Adilson

  4. Eduardo - 6 de May, 2007 @ 7:35 pm

    BOM SABERMOS, POIS AGORA É PRECISO
    SABER APROVEITAR A OPORTUNIDADE E NOS ALIAR PARA MELHORAR MAIS E MAIS O NOSSO CONHECIMENTO, E MOSTRAR O NOSSO POTENCIAL.

  5. Josival Freitas - 17 de June, 2007 @ 8:26 am

    É muito bom saber disto, mas há muita gente boa no nosso país que está inventando lá fora porque não teve chance aqui. Conheço um colega que está na NASA e já foi professor de informática aqui em Campina Grande na Paraíba. Sem falar que aqui em dado município paraibano temos o que poderíamos chamar de vale do cilício que podemos usar na fabricação de muitos componentes de computadores. Precisamos acreditar mais em nossa capacidade, Deus nos ama também.

  6. Juan Carlos Vasquez - 26 de June, 2007 @ 11:06 pm

    o Brasil é um pais que tem muitas posibilidades de creser so precisa acrditar em esso, a demais de procurar experiencias que dieron bom resultados fora y aproveitar professional com experiencia no exterior paro resolver aquelas travas que o mercado coloca e nao achar que esta tudo sabido, lembra qeu o sego nao consigue abansar si nao se le mostra o caminho primero. a umildade e o dom do crecimento

  7. Kátia Jucá - 16 de July, 2007 @ 10:15 am

    Obrigada pela pesquisa Dornelas e por se importar em abrir portas para as nossas empresas no exterior! Um abraço.

  8. Laine - 4 de September, 2007 @ 10:22 pm

    Primeiramente parabens pela pesquisa, muito valida.
    Gostaria que me recomendasse uma leitura, onde eu possa encontrar algo que fale da vida das micro empresa e em média
    quantas falem no primeiro ano e no quinto;
    As áreas que mais tem
    empreendedores, percentual da população que é empreendedor, as
    características desse empreendedor, a dicas para ser empreendedor nos EUA e
    diferenças em relação ao Brasil, por exemplo.

  9. nathallia viera ferreira - 13 de December, 2007 @ 12:57 pm

    eii..gostei..pena que não pode ajudar na minha pesquisa….se pode mais ainda ta em tempo…meu trabalhoe sobre…empreendedores brasileiros…caracteristicas,dificuldade,exmplos de sucesso…!!

    bjus e que tem muito sucesso

Comentário

Dr. José Dornelas

Palestrante, consultor, autor de livros best-seller e professor nas principais escolas de negócios do país.

[ veja a biografia ]

Livros

  • Empreendedorismo Corporativo Empreendedorismo Corporativo
    Como Ser Empreendedor, Inovar e Se Diferenciar Na Sua Empresa. [+]
  • Empreendedorismo - 3ª Edição Revista e Ampliada Empreendedorismo - 3ª Edição Revista e Ampliada
    Transformando Idéias em Negócios. [+]
  • Como conseguir investimentos para o seu negócio Como conseguir investimentos para o seu negócio
    Da idéia à abertura de capital. [+]
  • Planos de Negócios que dão certo Planos de Negócios que dão certo
    Um guia para pequenas empresas. [+]
  • Empreendedorismo na Prática Empreendedorismo na Prática
    Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso. [+]
  • Planejando Incubadoras de Empresas Planejando Incubadoras de Empresas
    Como Desenvolver um Plano de Negócios para Incubadoras. [+]