A última semana (Semana Global do Empreendedorismo) foi um momento especial para as atividades de fomento ao empreendedorismo em vários países e no Brasil em particular. Por aqui, milhares de eventos simultâneos ocorreram com o objetivo de despertar nas pessoas a importância do tema e também para promover iniciativas concretas que aumentem as chances de sucesso de nossos empreendedores.
Um dos assuntos mais debatidos foi o ensino de empreendedorismo. E novamente uma questão recorrente veio à tona: Empreendedorismo pode ser ensinado? É interessante observar o quanto esta pergunta desperta a curiosidade das pessoas, que esperam por uma resposta mágica. O fato é que o empreendedorismo é algo abrangente, um conceito que pode ser aplicado a várias situações e pessoas e que tem sido cada vez mais pesquisado. Empreendedorismo pode envolver a criação de negócios, a gestão de negócios, ou ainda a busca da realização dos sonhos, mesmo que não estejam relacionados à criação/gestão de empresas.
No caso do negócio próprio, nota-se que muito do que é praticado pelos empresários-empreendedores pode e deve ser ensinado aos iniciantes e mesmo àqueles mais experientes. Estas práticas formam um conjunto de experiências e casos de sucesso e fracasso que servem de referência aos que se deparam com dilemas empresariais. Este deve ser o principal foco do ensino de empreendedorismo. Segundo dados do Sebrae, mais de 200mil alunos tiveram contato com o ensino do empreendedorismo nos últimos 5 anos. E você poderia perguntar: qual o resultado desta iniciativa? Enganam-se aqueles que esperam ver os estudantes de ontem rapidamente tornando-se donos do próprio negócio.
O ensino do empreendedorismo não deve ter como objetivo principal a criação imediata de novos negócios, mas passar conceitos e experiências aos potenciais futuros empreendedores do próprio negócio ou de qualquer outra atividade profissional. O professor de empreendedorismo deve estar preparado para este desafio, pois não podemos confundir ou impor como metas do ensino de empreendedorismo a necessidade de se criar novos negócios. Com esta visão mais abrangente o Brasil conseguirá entrar numa nova fase do empreendedorismo nacional: a da realização e concretização das iniciativas, pois não basta aumentar os números de negócios criados, precisamos aumentar o número de negócios bem-sucedidos. O foco agora deve ser a qualidade e não a quantidade.
É isso aí.
















