25 de July, 2006

Foco ou diversificação: difí­cil decisão

É comum que empreendedores envolvidos no início de novos negócios sintam-se motivados e com uma energia espetacular para implementar novas idéias. A vontade de fazer acontecer supera qualquer obstáculo operacional. Mas este ímpeto nem sempre traz resultados interessantes quando a diversidade não pode ser implementada, já que o empreendedor não ganha escala, ou seja, ele não se multiplica. Sendo direto, eu diria que o empreendedor envolvido em uma empresa start-up (em fase inicial de desenvolvimento) deveria priorizar o FOCO e não se preocupar em diversificar em demasia.

Estranho? Acho que você vai concordar comigo. No início de qualquer negócio, salvo raras exceções, a empresa tem uma estrutura enxuta, com poucos funcionários e poucos recursos. Além disso, não possui marca difundida e histórico no mercado, ou seja, precisa se mostrar, conquistar a primeira grande conta ou vender para um cliente âncora. Muito precisa ser feito para conquistar a fidelidade de clientes e o comprometimento de fornecedores.

O empreendedor lí­der deverá estar à frente destas ações e por isso não terá alternativa ao foco. Ao focar, poderá conhecer cada vez mais o seu modelo de negócios e validar ou reformular sua abordagem e otimizar seu produto com base na avaliação dos clientes. Não é por acaso que empreendedores de sucesso quando contam suas histórias lembram-se que no início é super importante ter foco, para não se distrair com idéias a todo o momento e sair da rota.

Desvios de rota sempre ocorrerão na fase inicial. Eu diria que é praticamente impossível acontecer exatamente tudo que foi planejado (caso você tenha feito um planejamento), pois as premissas e o contexto mudam muito rapidamente.

Porém, quando o empreendedor sentir que já está bem estabelecido no mercado (o que pode ocorrer geralmente a partir de um ano) é hora de pensar em diversificação, em conquistar novos mercados, novos clientes, desenvolver novos produtos e continuar a inovar. Provavelmente a empresa já terá outra estrutura e permitirá ações mais abrangentes.

É claro que existem exceções à regra e você sempre encontrará negócios que se desenvolvem rapidamente diversificando desde o iní­cio. Mas como eu disse, são exceções. Em um ambiente cada vez mais competitivo e com clientes cada vez mais exigentes o empreendedor deve ser o melhor em sua área de atuação. E isto só se conquista com foco total, resistindo sempre à tentação de novas idéias e projetos. É dizer “não” a oportunidades que podem aparecer em momentos, digamos, inadequados. E isso é complicado para todo empreendedor, pois se trata de uma pessoa curiosa e atenta às oportunidades. Bom, mas saber falar “não” é outro dilema do qual trataremos em outra oportunidade. É isso aí.

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5 Comentários

  1. Reinaldo Alves - 17 de August, 2006 @ 1:31 pm

    Caro Professor Dornelas,

    Concordo contigo quando disse que manter o foco na fase inicial de um negócio é fundamental para o desenvolvimento de uma empresa. No entanto acho que o empreendendor deve estar atento ás oportunidades que por ventura apareçam no caminho do desenvolvimento, ou seja, existem momentos que são únicos e que não podem ser desperdiçados pelo empreendedor que precisa de uma base sólida para o crescimento de sua empresa. Precisamos estar sempre antenados com o que o mercado tem á nos oferecer!!! Mas isso é uma mera e simples opinião!!!

    Um abraço,

    Reinaldo Alves

    reinaldooi78@hotmail.com

  2. Anonymous - 18 de August, 2006 @ 5:15 pm

    Caro Prof. Dornelas

    Concordo com a sua colocação, uma empresa em inicio de vida, tem que ter foco, com isso ela vai formar uma base sólida, que é primordial a uma empresa em início de carreira e focando na empresa podemos identificar possíveis acertos de direção e tendências dos nossos clientes

    Um grande abraço,

    Júlio César Meirelles
    julio_bytecompany@hotmail.com

  3. Maria Beatriz Costa - 12 de September, 2006 @ 7:56 am

    Caro Prof. Dornelas,
    Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa de criar este blog.
    Eu propria sofro desse “mal”… muitas ideias e menos focalização.
    É reconfortante ver que (obviamente) não sou a única!
    E é sobretudo, porque nos faz pensar que é necessário ter um pouco mais de paciência, um pouco mais de “calma”, e claro (sempre) mais atenção.
    Muito obrigada!

    Maria Beatriz Bernado da Costa

  4. Henrique Lyra - 9 de January, 2007 @ 12:57 am

    Palavras sábias Prof. José Dornelas, mas é bom salientar que a falta de foco no sentido de que o empreendedor está se perdendo, talvez seja um planejamento um pouco inconsistente.

    O fato de empreendedores ficarem agarrando todas as oportunidades que apareçam pode ser decorrente de uma falta de segmentação de mercado e definição de proposição de valor clara a esses clientes.

    Ao analisar o mercado o empreendedor deve buscar os clientes que ele tem maiores oportunidades de negócios e assim elaborar uma segmentação clara juntamente com uma proposta de valor consistente.

    Diversificar pode ser uma exigência dos clientes escolhidos e detectados na análise do mercado.

    A definição clara de Negócio, Visão, Valores, Missão, Público Alvo, Proposição de Valor, Metas e Estratégias podem ser ferramentas úteis para o empresário diversificar sem fugir do foco e ao mesmo tempo posicionar-se no mercado.

    Um forte abraço

  5. Diego Rodrigues de Magalhães - 13 de December, 2007 @ 11:24 am

    Caro Prof. Dornelas,
    A questão do Foco na atividade empresarial está entre as recomendações estratégicas mais fortes da atualidade. Concordo contigo no que diz respeito a apostar naquilo em que somos potencialmente fortes em relação a concorrência. Só que, o risco que se corre em focar demais é muito grande, pode ocorrer da empresa ficar sem cliente ou fornecedor ao haver alguma mudança conjuntural no mercado.
    O ideal é que a organização foque o suficiente para estar em posição concorrencial privilegiada e ao mesmo tempo manter-se generalista o suficiente para enxergar e aplicar em novos focos.
    Abraço.

Comentário

Dr. José Dornelas

Palestrante, consultor, autor de livros best-seller e professor nas principais escolas de negócios do país.

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