Nos próximos dias darei uma aula para alunos do MBA de Babson sobre o empreendedorismo no Brasil. Conversei com vários professores daqui para identificar a expectativa deles e a curiosidade dos alunos. É incrível como nosso país desperta a atenção dos americanos quando se fala em empreendedorismo. Isso se deve, obviamente, pelo tamanho do país, por ser um dos membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) etc. Mas o que mais chama a atenção deles, pelo menos nas conversas que tenho tido, é como poder identificar e desenvolver oportunidades no mercado brasileiro, ou seja, como empreender no Brasil.
Entre outros assuntos vou abordar duas vertentes. A primeira refere-se ao que chamo de pano de fundo, ou condições conjunturais do país para que o empreendedorismo aconteça. Nos últimos anos, apesar dos vários problemas que não vale a pena detalhar aqui, as condições de suporte aos empreendedores têm melhorado. Não podemos ainda comparar nosso pano de fundo com a situação americana, por exemplo, pois continuamos a ser um país em desenvolvimento. Porém, no campo do empreendedorismo inovador, temos várias ações dignas de ser mencionadas, como é o caso da atuação da Anprotec, associação que representa as incubadoras e parques tecnológicos. O papel da Finep também tem sido crucial para fomentar a inovação tecnológica no país. A nova lei da pequena empresa promete trazer um cenário menos perverso para aqueles que empreendem. Em resumo, temos muito a fazer, mas temos também exemplos a apresentar.
A segunda vertente de minha apresentação focará no empreendedor e como ele lida com o processo empreendedor. Em pesquisa que minha equipe e eu estamos concluindo sobre o que pensa e como age o empreendedor brasileiro de sucesso, identificamos muitos mitos e algumas boas verdades sobre o comportamento do empreendedor tupiniquim. Os americanos - alunos de Babson - terão o privilégio de conhecer estes resultados em primeira mão, mas os brasileiros poderão ter acesso ao resultado completo, em forma de livro, que deve ser publicado ainda este semestre. Posso adiantar que questões como planejamento, ganhar dinheiro e aposentar em paz, não apresentam uma tendência única em nossa amostra de cerca de 400 empreendedores.
Enfim, acredito que será uma boa oportunidade para apresentar o país sem focar no que ocorre com freqüência em apresentações sobre países em desenvolvimento, nas quais se enfatiza o empreendedorismo de necessidade. Espero apresentar o lado das oportunidades do país, das adversidades também, mas da criatividade levada à sério e colocada em prática por empreendedores competentes, que podem e servem de referência para qualquer um, em qualquer país. Depois contarei como foi.
É isso aí.
p.s.: como adiantei no texto anterior, nesta última semana ocorreu a Tech Fair no MIT. Estive lá e conferi de perto o que vem por aí. Se tiver curiosidade, visite o site: www.mittechfair.com
www.josedornelas.com












