3 de January, 2012

Empreendedores não precisam de curso superior

O início de um novo ano é o momento ideal de pensar nas realizações que poderão ser colocadas em prática nos próximos 12 meses e não se esquecer de sonhar grande! Os empreendedores agem dessa forma e se preparam para os desafios. Alguns buscam cursos, treinamentos e demais fontes de informação e educação de negócios, mas outros nem pensam em estudar.

A formação empreendedora tem estado em evidência nos últimos tempos e a tendência é continuar a ser foco das atenções de escolas de negócios, empresas e dos empreendedores. Mas há controvérsias. O jornal Valor Econômico recentemente publicou um artigo de Luke Johnson, colunista do Financial Times, sobre educação empreendedora, reproduzido a seguir na íntegra. O que você acha, os empreendedores precisam ou não de educação formal em negócios?

É isso aí.

Empreendedores não precisam das escolas de primeira linha, por Luke Johnson

Pessoas que venceram por seu próprio esforço muitas vezes dão mostras de encarar de forma incoerente o ensino superior. Embora tenham obtido sucesso sem ele, querem que seus filhos usufruam de toda a aprendizagem formal disponível. Mas será que um diploma é um ativo real para um aspirante a empreendedor?

Peter Thiel, o bilionário cofundador da PayPal, está convencido de que existe uma bolha na educação universitária americana. Ele considera que a crença, predominante na “intelligentsia”, na vantagem financeira oferecida por qualificações como um MSc (mestrado em ciências exatas), um PhD (doutorado) ou MBA (mestrado em administração de empresas) é irracional. O custo de uma formação acadêmica já vem disparando há anos, mas, até a recessão, poucos duvidavam de que o enorme investimento era uma ideia sensata.

Os pais quase se matam para pagar mensalidades de escolas particulares e o custo de faculdades de renome. Certificar-se de que os filhos tirem as melhores notas e ingressem nos cursos mais conceituados se tornou quase um artigo de fé religiosa entre os profissionais liberais. Nos Estados Unidos, as universidades de primeira linha, coletivamente conhecidas como Ivy League, como as de Harvard e Princeton, entre outras, cobram US$ 50 mil anuais. E devido à obstinação de dezenas de milhões de asiáticos, mais vagas nas cobiçadas universidades ocidentais estão sendo abocanhadas por estudantes chineses e indianos.

Minha atitude perante a educação formal é analogamente equivocada. Embora eu tenha recebido um grau de mestre de uma boa universidade, quase não o usei no meu trabalho. Talvez ele tenha me dado confiança e contatos – embora eu tenha certeza de que esses elementos poderiam ter sido adquiridos de outras formas. Foi certamente um período agradável – mas não as aulas expositivas, pois eu nunca as frequentei, nem as aulas práticas – eu as matei também.

A melhor experiência de meus três anos de Oxford foi inaugurar uma empresa, coisa que nada tinha a ver com meu diploma em fisiologia. Desconfio que muitos estudantes passam a maior parte do tempo bebendo, fazendo amor, dormindo até mais tarde, participando de protestos e assim por diante. Será que isso vale todo o tempo e o dinheiro investidos? A pergunta cabe principalmente agora, quando os alunos se formam endividados até o pescoço, ao mesmo tempo em que se defrontam com um número menor de empregos.

Fiz palestras em doze universidades no Reino Unido nos últimos meses, e em todas os bacharelandos estudam a possibilidade de formar empresas como alternativa às carreiras clássicas em direito, consultoria empresarial e mercado financeiro. Esse espírito empreendedor é uma notícia maravilhosa, mas duvido que as aulas os ajudem em seus empreendimentos. Por que passar anos esperando? O melhor treinamento é simplesmente sair e pôr a mão na massa.

A academia precisa de reformas. As universidades deveriam oferecer cursos mais práticos. As férias são longas e o contrato permanente de trabalho para os professores é um sistema tenebroso. Elas deveriam se desacostumar dos subsídios governamentais e se comprometer mais com o capitalismo. Os contribuintes deveriam receber um melhor retorno da pesquisa que financiam. A ampla criação de riqueza de instituições como Stanford e MIT mostra o caminho. Por outro lado, me preocupa o fato de que a tomada de decisões dentro de nossas torres de marfim evolua a passos de tartaruga.

Mesmo assim, muitos de nós continuam escravos do status que as instituições de ensino são capazes de conferir. Recentemente me tornei professor-visitante de empreendedorismo numa universidade de Londres – aceitei o honroso cargo em parte por vaidade. Da mesma forma, estive no programa “University Challenge” na BBC2, desesperadamente sem conseguir responder a maior parte das perguntas. Em última instância, sei que as universidades e a formação acadêmica têm importância vital, tanto econômica quanto culturalmente – e que a maioria dos professores faz um bom trabalho. Mas desconfio que a iminente depuração, por seleção natural, da educação superior pode ser um bem para todos.

Categorias: [ Comportamento ] [ Geral ] [ Negócios ]

14 Comentários

  1. Empreendedores não precisam de curso superior - Help Startup | Help Startup - 3 de January, 2012 @ 4:42 pm

    [...] Leia mais em: Empreendedores não precisam de curso superior. Compartilhar/Favoritos Posted in Empreendedorismo | « Infográfico: marcas no Facebook You can leave a response, or trackback from your own site. [...]

  2. Andre - 5 de January, 2012 @ 2:25 pm

    Eu me formei em eng. prod. mecânica em uma universidade federal, mas acredito que empreendedores não precisam de um ensino superior. Acredito que ajuda na formação do raciocínio lógico e conhecimento, mas não é o que vai determinar no sucesso do empreendedor.

    Concordo com o autor quando ele diz que o melhor treinamento é por a mão na massa e que as universidades deveriam desacostumar dos subsídios governamentais e se comprometer mais com o capitalismo.

    O Brasil precisa reformular urgentemente de uma reforma neste sentido.

    Obrigado por compartilhar este artigo.

  3. roseli aparecida raimundo - 16 de January, 2012 @ 10:18 am

    Ja estou com 46 anos e ainda tenho que ajudar meu marido pois ainda temos filhos para ajudar nos estudos pois ainda são menores de idade,tenho pensado muito em me tornar uma sacoleira,essa semana fui a São Paulo e gostei muito das variedades de bolsas feminina e acessórios.e a necessidade é tanta ,só que tenho um pouco de medo de investir e de não ter resposta ,lucro eu quero dizer… me ajudem por favor me mandem um E-mail.Preciso formar os meus filhos ajuda-los a terminar os estudos.

  4. Marcel - 17 de January, 2012 @ 8:44 pm

    Mesmo lendo apenas o início deste artigo, já fiquei ansioso o suficiente para não lê-lo completamente e já citar dois nomes que estão totalmente ligados ao título deste artigo: Bill Gates e Steve Jobs. Alguém discorda? Então veja a formação acadêmica deles ;)

  5. Consultoria de Marketing Digital - 25 de January, 2012 @ 11:16 pm

    Acredito que é possível ser um empreendedor de sucesso sem possuir formação superior, pois as faculdades não ensinam (e nem estimulam) a ninguém a ser empreendedor!

    Porém, quando se trata de empreender no Brasil, acredito que exista um adendo:

    Em um país com uma legislação tributária extremamente complexa, com uma taxa de juros altíssima e também com uma grande restrição de crédito para pequenos empreendedores como pode um empreendedor sem conhecimento de matemática financeira e conhecimento básico de contabilidade ter sucesso?

    Acho muito difícil!! Muito!

    Se Bill Gates e Steve Jobs fossem brasileiros, infelizmente eles teriam que pagar tantos impostos que não conseguiriam criar as empresas que criaram em suas garagens!

  6. Hamilton Sebastião da Silva Bento - 13 de February, 2012 @ 8:37 am

    Quero fazer um plano de négocio, mais não consigo fazer uma análise sobre o contexto interno da empresa

  7. Empreendedores não precisam de curso superior? « Conhecimento & Inovação - 2 de March, 2012 @ 5:09 pm

    [...] Leia mais Share this:TwitterFacebookGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. Crie um bookmark para o Link permanente. Deixe um comentário [...]

  8. Roberta Freitas - 18 de March, 2012 @ 11:04 am

    Estou iniciando meu curso superior agora, aos 43 anos justamente para me auxiliar em meu negocio, que já tem 23 anos e é familiar, e leio um texto deste tipo, me questiono se estou no melhor caminho, já que serão 4 anos de estudo.
    Onde adquirir o conhecimeto, apenas nos varios cursos do SEBRAE, que os melhores e mais profundos custam R$ 800,00 em média?
    Estou a procura desta resposta ha algum tempo, mesmo sabendo que só cheguei ate este texto atraves do meu curso de Ciencias Contabeis.
    Agradeço.

  9. Empreendedor Sustentável - 30 de March, 2012 @ 4:17 pm

    Realmente, exemplos não nos falta.

    Muito bom!

  10. FERNANDO - 17 de April, 2012 @ 1:26 pm

    Devidamente como alguns anteriores dizendo quen as faculdades não ensinam, não estimulam,entre outros casos mais é a pura verdade, por não discordo onde a realidade de motivar ao empreendedorismo ainda é muito fraca e desfalcada aqui no Brasil, devidamente sem ter um apoio ao carater de mostrar a pura realidade, onde muitos pais fazem de tudo pelos filhos ou seja, tentam pagar as melhores instituições para uma graduação de remone no futuro, melhores cursos de informática entre outros, mas mesmo poucos de se dão ao conhecimento e aproveitamento para enxegar de uma maneira diferente, que pena que o Brasil ainda é “pobre” nesta área para motivar alguém. Comentário Feito por um Acadêmico do Curso de Tecnologia em Marketing no Paraná.

  11. Caio Ericeira - 18 de May, 2012 @ 3:34 am

    Tenho 19 anos e estou cursando o segundo período do curso de direito. Acredito que grande parte da motivação que me levou a começar esse curso foi a necessidade de auto aprovação em meio a uma sociedade que valoriza mais do que tudo uma formação acadêmica. Apesar disso, sempre me considerei uma pessoa empreendedora, que anseia caminhar com as próprias pernas e realizar grandes feitos, pois sempre tive muitos projetos e sonhos. Estou montando minha primeira loja virtual no ramo de roupas e acessórios, e acredito que esse seja um grande passo em uma longa caminhada rumo ao sucesso. Com certeza haverão tropeços, mas estou à procura de meios para evitá-los e superá-los. Estou a disposição para sugestões de qualquer natureza.

    Abraços.

  12. Ivonete Maria Ribeiro da Costa - 25 de May, 2012 @ 9:11 am

    è o que mais quero é ajudar minha filha a realizar seu sonho,pois ela se sente pressionada pelo irmão de ter que cursar direito, mas ela no fundo mesmo quer ser dona de seu próprio negócio, nos ajude. Qual o primeiro passo na prática que devemos ter iniciativa alem da vontade? Abraços

  13. Bruno Canhavate - 23 de July, 2012 @ 9:55 am

    Olá à todos!
    O estudo e conhecimento é extramente importante, porém muitas pessoas não buscam ele, buscam sabem o quê? É, ele mesmo, aquele famoso “DIPLOMA”, que tornará você a pessoa mais poderosa do mundo. Totalmente enganado! Temos que buscar o que gostamos de fazer, abrindo um próprio negócio, com pensamentos empreendedores, e realmente acontecerá, com muito esforço, o que você deseja: Ganho dinheiro e sou feliz!
    Mas não se esqueçam: Temos que trabalhar muito, não só no sentido colocar a mão na massa, também ir na busca de informações, ser curioso, ficar atento à notícias de nosso cotidiano.
    SUCESSO À TODOS !!!

  14. Chiropractor - 19 de June, 2013 @ 4:57 am

    Hello, yes this piece of writing is in fact pleasant and I have learned lot of things from it on
    the topic of blogging. thanks.

Comentário

Dr. José Dornelas

Palestrante, consultor, autor de livros best-seller e professor nas principais escolas de negócios do país.

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