Os empreendedores bem-sucedidos geralmente gostam do que fazem, dedicam-se de corpo e alma ao negócio e acabam por ser especialistas no seu setor. É a máxima que prega 99% de transpiração e 1% de inspiração. Isso é bem fácil de identificar, basta você olhar ao seu redor e notar como se comportam os empreendedores que você conhece e os quais você considera bem-sucedidos. Mas há exceções e precisamos entender que para termos mais chances de sucesso devemos gostar do que fazemos, mas nem sempre o sucesso vai aparecer porque optamos por fazer algo que gostamos e pronto. Confuso? Vou explicar melhor.
Neste último feriado viajei com minha mulher para Campos do Jordão para aproveitar o fim de semana prolongado e descansar um pouco. A primeira atitude que tomei antes da viagem foi o planejamento de onde ficar. Acessei vários sites até identificar uma pousada que fosse calma, bem estruturada e com um bom serviço. Após várias ligações telefônicas encontrei aquela que parecia ideal. As informações e fotos no site da pousada eram bem explicativas. Liguei para lá e conversei diretamente com a dona, que rapidamente contou quase toda sua história, dos diferenciais da pousada etc. Achei uma atitude simpática e não muito comum.
Viajamos e ao chegar à pousada não encontramos ninguém na recepção. Algum tempo depois uma moça veio nos atender, mas não sabia dar explicações sobre a pousada, a reserva etc. Após alguns minutos conseguimos finalmente nos instalar. O chalé era realmente muito bom, com decoração individualizada e se percebia a preocupação com os mínimos detalhes. Logo depois, consegui conversar com a dona e percebi que a pousada era o seu projeto de vida e por isso ela procurou fazer o que sempre vislumbrava em seus sonhos.
Mas a dona confundiu fazer o que gosta com gostar do que faz. Após alguns dias lá percebi que o serviço não estava à altura do lugar e de sua infra-estrutura de primeira linha. Era falta de preparo da dona e dos funcionários. A dona era extremamente apegada ao local e concentrava todas as decisões em suas mãos. Ela não percebeu que no setor no qual atua - o turismo - o mais importante é o serviço e atendimento ao cliente. Aí eu percebi que ela gosta de ter uma pousada, aquela pousada dos sonhos, mas não está preparada para gerir uma. É uma pena, pois se trata de um projeto de vida… Infelizmente, muitos empreendedores brasileiros sofrem do mesmo mal. Acreditam que pelo fato de gostar de pizza serão bons donos de pizzaria.
Quando voltei de viagem, achei que deveria compartilhar com vocês esta história. O fim de semana não foi ruim não, pelo contrário, ainda mais em Campos do Jordão. Mas voltando ao nosso tema, a conclusão é simples: cuidado para não se envolver em atividades que não domina, não confunda fazer o que gosta com gostar do que faz e lembre-se que o futuro de qualquer negócio dependerá do atendimento ao cliente, ou seja, um serviço de qualidade. É isso aí.












