15 de August, 2006

Diga não à burocracia

Nas últimas semanas estive conversando com vários empreendedores envolvidos na fase start-up, ou seja, que ainda se encontram definindo e moldando o negócio e que ainda não sabem se a empresa será a mesma daqui a alguns meses. É interessante observar o que funciona e o que não funciona para esta fase crí­tica, pela qual passam todas as empresas.

Com base nestas conversas, na análise de vários casos de sucesso e também de fracasso e ainda com base na minha experiência própria com várias empresas, eu diria que existe uma preocupação bastante difundida no mundo das pequenas empresas e que às vezes pode confundir os empreendedores de primeira viagem: a burocracia. Mas porque estou chamando de preocupação esta palavra tão usada para sintetizar as ações de empresas que não são ágeis, que não atendem às expectativas dos clientes, que não conseguem ter um norte ou ainda que insistem em priorizar o que não é relevante?

É simples. Acompanhe o seguinte raciocí­nio. Todos os especialistas em pequenas empresas e até mesmo empreendedores que já passaram por esta experiência de se envolver na criação de uma pequena empresa são unânimes em dizer que o planejamento é essencial para o sucesso de qualquer empreendimento. Porém, ao planejar e seguir à risca o que prega o planejamento, muitos empreendedores correm o risco de criar procedimentos extremamente burocráticos, imaginando que serão úteis para o dia-a-dia da empresa. Mas em muitos casos estes procedimentos teóricos, que ainda não foram testados e às vezes não são os mais adequados para o seu negócio, só trarão problemas à empresa. Todos estarão comprometidos em seguir procedimentos, enquanto deveriam seguir o que o mercado pede.

Por isso que no iní­cio, mesmo que haja um bom planejamento, há a necessidade de se focar em poucas coisas, e priorizar a agilidade. O empreendedor deve tomar o cuidado de não criar regras em excesso, pois estas regras poderão trazer um efeito contrário, prejudicando a agilidade e flexibilidade da empresa start-up. É claro que existem exceções e estas podem ser facilmente encontradas quando o empreendedor já conhece o ramo e sabe o que funciona e o que não funciona. Mas nem todos têm esta experiência.

Assim, quando estiver em dúvida, não hesite em optar pela agilidade, pois com o tempo a empresa crescerá e os procedimentos naturalmente serão adaptados para a realidade de sua organização. Porém, cuidado, não estou dizendo aqui que a bagunça e o jeitinho devem predominar, mas que você deve ser objetivo nos primeiros meses e evitar perder tempo com o que não agrega valor para o crescimento de sua empresa. É isso aí­.

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6 Comentários

  1. Geovani - 16 de August, 2006 @ 1:23 am

    É, não adianta apenas seguir o que está no papel, à risca. A implementação na prática normalmente não segue exatamente como o planejado. Tentar seguir apenas o que foi planejado, muitas vezes, é como tentar correr com as pernas engessadas. Inclusive, essa idéia tem bastante relação com desenvolvimento de software, algo que aprendi na universidade (logo, tenho certa intimidade. Aliás, segue um comentário nada a ver): não adianta querer seguir exatamente o que foi planejado, o que foi modelado; é preciso mudar constantemente, evoluir, à medida que novas idéias (e novos problemas, imprevistos na fase de projeto) surgem, ou são “exigidos” pelo cliente. E também, deixar várias coisas de lado, por não serem importantes, ou por faltar tempo para implementá-las com qualidade, dentro do tempo previsto. Focar no que tornou-se realmente relevante, mesmo que imprevisto, não planejado no início.

    e-Mail: geovani.antunes@gmail.com

  2. Anonymous - 17 de August, 2006 @ 7:25 pm

    Olá a todos.

    Hoje em dia, mais do que nunca, a empresa deve reagir de forma rápida e inteligente às mudanças na economia, mercado consumidor, leis, questões ambientais, etc. Por isso concordo com o que Dornelas disse: inicialmente a agilidade é fundamental para poder pegar “o ritmo da corrida” do mercado. Depois sim virão naturalmente os processos bem definidos, procedimentos, gestão da qualidade total…

    Não sabia que o prof. Dornelas tinha um blog. Estou conhecendo hoje e até agora achando interessante. Estou terminando o curso de Ciências da Computação e pretendendo fazer o curso de graduação em Administração de Empresas, ambas pela UFCG (Universidade Federal de Campina Grande). Penso em um dia poder montar um negócio que envolva os conhecimentos adquiridos nestas duas áreas.

    elmanorc@yahoo.com.br

    Elmano

  3. Gol - 19 de August, 2006 @ 12:44 pm

    Bom dia.

    Este blog é realmente interessante. Pelas dicas de quem entende do assunto.

    Muito Sucesso e parabens.

    Golbery
    golbery.paiva@bol.com.br

  4. sergioworld - 19 de August, 2006 @ 6:47 pm

    Olá,
    Como já disseram uma vez:
    Intenção - Ação = NADA
    Nesse contexto, o qual estou de acordo com o Dornelas, gostaria de acrescentar que um princípio interessante que cabe aquí é o de que quanto maior a burocracia maior a corrupção. Dificilmente você conseguirá ter pessoas engajadas nos processos da empresa com excesso de burocracia. Certamente elas pularão etapas e no final quem paga é a razão do nosso viver: O Cliente!

    Um abraço!.
    Sérgio Souza

  5. Marcio Nobrega - 23 de August, 2006 @ 7:42 am

    Ola prof. Dornelas, lendo seu artigo imagino que falte duas coisas: experiencia e confian�a. A experien�ia s� vem com o tempo, mas a confian�a. O povo brasileiro � naturalmente desconfiado em virtude da corup��o presente em todos os niveis da sociedade, desde aquele que deixa um amigo furar fila aos nossos ilustres politicos e suas cuecas. � presiso que o empresario confie nos empregados para poder desburocratizar sua empresa. Blog Eu, Patr�o! (http://eupatrao.blogspot.com)

  6. Consultor da Madrugada - 23 de February, 2007 @ 4:32 am

    No Brasil desburocratização = corrupção, Liberalismo = colonialismo. Consultoria = emprego, ao invés de ser uma profissão.

    No dia em que consultores pararem de achar que empresa é um negócio movido por máquinas observadas por homens descartáveis e todos pararem de acreditar em gestões de qualidade, conformidades maquiadas, certificados-ISO de papel, 5S, six-sigma, etc… a coisa funciona.

Comentário

Dr. José Dornelas

Palestrante, consultor, autor de livros best-seller e professor nas principais escolas de negócios do país.

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