26 de March, 2009

Brasil: o país de jovens empreendedores pouco inovadores

A mais recente pesquisa do GEM – Global Entrepreneurship Monitor no Brasil traz uma interessante informação sobre os jovens empreendedores de nosso país. Os brasileiros entre 18 e 24 anos destacam-se perante jovens de outros países. Nossos jovens estão na terceira posição do ranking do GEM.

Cerca de 15% dos jovens no Brasil estão envolvidos com o empreendedorismo, ou seja, o equivalente a 3,82 milhões de pessoas. E do total de empreendedores brasileiros (em todas as faixas etárias) 25% são jovens.

Isto mostra o apetite da juventude por fazer acontecer… Porém, um dado nada positivo também coloca o país em destaque no mesmo estudo: somos o país com uma das menores taxas de inovação dentre os mais de 30 países participantes da pesquisa. Como explicar esta disparidade?

Os jovens deveriam ser os mais inovadores, aqueles em busca de novos modelos de negócios, novas tecnologias, novas soluções para problemas antigos e também para problemas atuais. Afinal, são os mais antenados com o desenvolvimento tecnológico, têm acesso a informação e vivem no mundo do pragmatismo, entendem o significado de comunidade, de relacionamento etc.

Deveriam, na verdade, identificar oportunidades para atender à sua própria demanda. Mas não parece que isso está acontecendo, o que é uma pena. Inovação é um imperativo que todo empreendedor deve buscar em seu negócio, novo ou não, (ainda) pequeno ou grande, tecnológico ou não.

Não basta empreender, deve-se empreender com diferencial para não só sobreviver, mas para buscar longevidade. Nossos jovens estão mostrando iniciativa, mas a julgar pelo tipo de negócio que estão criando (mais do mesmo), não criarão muitas vantagens competitivas, cairão na mesmice e serão sérios candidatos a inflar os índices de mortalidade de empresas.

É preciso mudar esta constatação ou logo estaremos celebrando anos seguidos nas primeiras posições do ranking dos jovens menos inovadores do mundo. Não dá para aceitar, já que talento nós temos. Porém, precisamos colocá-lo em prática!

É isso aí.

Categorias: [ Comportamento ] [ Inovação ] [ Negócios ]

9 Comentários

  1. Caixeta - 27 de March, 2009 @ 9:04 am

    O Brasil é um país onde os empreendedores são vistos como “chefes” onde tem um grupo de pessoas trabalhando muito e o “chefe” fica com o dinheiro no final do mês.
    O “chefe” tem casa boa, tem carro bom, faz viagens internacionais…

    A juventude cresce ouvindo os pais reclamarem do tanto que trabalham e “dão” dinheiro pra empresa.

    Em contrapartida a educação brasileira não prepara o jovem para pensar em inovação, em criar coisas. Prepara sim para obedecer.

    O que os jovens fazem: abrem uma lojinha pra vender roupa ou qquer outro artigo, pensam que sao empreendedores e assim viram “chefes”.

    Desilusão… assim nasce o “chefe” medíocre, que não sabe comandar, muito menos inovar. E não consegue sair disso. Nestes casos, ainda utilizam a famosa reclamação “impostos, governo”.

    Tudo se resume em comodismo. Como é facil ir em uma cidade com roupas baratas, fazer um sacolão e vender na sua cidade.

    Será que algum(a) sacoleiro(a) pensou num processo mais eficiente de logística e venda direta??

  2. Leandro Cianconi - 27 de March, 2009 @ 3:51 pm

    Fiquei curioso quanto ao critério utilizado para definir “pouco inovadores”.
    O cenário está mudando, estamos vivendo um processo de inovação aberta. Pode ser que o dado esteja correto, mas é preciso usar as lentes certas para saber.
    Abraços.

  3. Leandro Henrique Batista - 29 de March, 2009 @ 8:52 pm

    Na minha opinião, esse resultado mostra, mais uma vez, a necessidade de uma integração entre universidades e a industria. Além disso, falta mais iniciativas para se criar spin-offs e incentivo governamental com relação à carga tributaria.

    Acredito que a solução dele deve nascer nas universidades e se espalhar para outros setores da sociedade. Convencendo a industria e o governo da necessidade de se incentivar a inovação no pais!

    Att.
    Leandro H. Batista

  4. Marco Martins - 30 de March, 2009 @ 12:14 am

    Inovar consiste em buscar algo mais eficaz para resolver um problema. Quando o jovem está bem afinado com a tecnologia ele cai no mercado de trabalho e descobre que para aumentar seu salario deve deixar a parte técnica de lado e ir para a parte gerencial. Pronto, nasce mais um jovem com capacidade de inovação perdido no mercado de trabalho, ganhando bem, mais inovando pouco… Enquanto o lado técnico for desqualificado, teremos esse cenário no brasil.

    Quantas empresas nacionais de grande porte no brasil investem nos jovens funcionários incentivando-os a criarem algo inovador?

    Quantos jovens desistem de criarem algo inovador para gerenciar equipes (prazos, recursos e data)?

  5. i9y - 13 de April, 2009 @ 9:27 am

    AQUI NO BRASIL A GENTE TEM QUE MATAR UM LEÃO… POR HORA SE QUISER SOBREVIVER

  6. Ygor Alves da Costa - 23 de April, 2009 @ 11:37 am

    Aos comentários feitos, tenho a seguinte tese: Sou universitário, faço o curso de Tecnologia de Gestão da Informação, e a grande dificuldade de se tornar um empreendedor que crie inovações, é a falta de reconhecimento no mercado de trabalho, por ser jovem, alegam que não temos experiências suficientes para atuar como empreendedores.
    Creio que futuramente,teremos nós jovens, de saber combinar atividades com gerenciamento, como por exemplo o curso de Tecnologia (Informática) com (Empreendedorismo), um ótimo estímulo para motivar a exposição de idéias inovadoras na área de informática.
    Na minha opinião a matéria de “Empeendedorismo” devia ser aplicada em todos os cursos independentemente de qualquer área de atuação, pois se não associarmos a parte gerencial a atividade exercida no mercado de trabalho, em outras palavras, ficaremos defasados.
    Ygor Costa (Aluno TI ANHANGUERA – Itap. da Serra)

  7. Brasil: o país de jovens empreendedores pouco inovadores « Inumaru Enterprising eXperience Team - 24 de June, 2009 @ 11:53 am

    [...] Fonte [...]

  8. felipe lima - 14 de September, 2009 @ 1:14 pm

    Muitas vezes isto é reflexo dos pais que ainda tem o sonho de ver o filho empregado em grandes empresas, deixando de lado o incentivo ao empreendedorismo e a ciação de novos negócios.

  9. elaine almeida - 12 de January, 2010 @ 12:51 pm

    Realmente!, inovadores?, hummm acredito que estamos um pouquinho longe ainda, pq na verdade não podemos cobrar conhecimento de alguem que não o teve, ou nem sabe o por que de te-lo.

    Se o Brasil espera pessoas inovadoras, as instituições também precisam começar a fazer sua parte, não conheço faculdade que abordem esse tema com tanta enfâse a ponto de tornar isso um requisito, então porque não comerçarmos pela EDUCAÇÃO?

Comentário

Dr. José Dornelas

Palestrante, consultor, autor de livros best-seller e professor nas principais escolas de negócios do país.

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